Programa da Disciplina e Primeiras Informações
Queridos, todos,
Eu e Priscila damos boas vindas aos matriculados em "Ficção Seriada" (GEC 128), disciplina optativa do curso de graduação em Estudos de Mídia, na qual continuamos a exploração das dimensões estéticas, poéticas e estilísticas dos produtos seriados de ficção televisiva.
Como todos verão, nesse semestre vamos fazer uma exploração mais panorâmica às questões de estilo dos formatos seriados televisivos, a partir de um olhar mais atento a certos aspectos da estruturação narrativa e dos padrões de endereçamento aos horizontes de recepcão dessas obras.
Valorizaremos uma dinâmica de exposições partilhada entre a experiência continuada desses produtos e os problemas que leituras e reflexões de determinados textos dedicados a esses universos nos auxiliam a delinear. Vamos precisar bastante da iniciativa e do empenho de todos vcs. para que a experiência redunde em sucesso e real aprendizado.
De todo modo, para começarmos esse caminho, apresentamos o programa da disciplina, cuja leitura recomendamos que vcs. façam com antecedência, de modo a podermos fazer uma discussão prévia de alguns desses pontos de nosso planejamento. Tragam suas dúvidas e sugestões para nosso primeiro encontro - que será na próxima segunda-feira, dia 25/03, a partir das 14:00, na habitual sala 405 do Bloco A do campus do Gragoatá.
Esperamos todos por lá.
Esperamos que seja um ótimo e produtivo semestre.
Bem vindos,
Benjamim e Priscila
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO SOCIAL
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS CULTURAIS E MÍDIA
Disciplina: Ficção Seriada
(GEC 128)
Professores: Benjamim Picado
e Priscila Mana Vaz
Horário: 2as feiras, das 14 às 18 :00
Local: Sala 405 (Bloco A - Gragoatá)
Questões
de Estilo em Formatos Seriados de Ficção Televisiva:
estruturas
de mundos, estruturas narrativas e horizontes de recepção
Ementa: As diversas manifestações da ficção seriada através da mídia. O
folhetim no século XIX. O personagem em série: as publicações fantásticas e a
ficção seriada. O cinema e a ficção seriada. As rádio-novelas nos anos 40. As
séries televisivas no pós-guerra. O Sitcom como fenômeno tipicamente americano.
Os programas de esquetes como fenômeno tipicamente brasileiro. A consolidação
do modelo de teledramaturgia na América Latina. O melodrama como gênero
narrativo. O futuro da ficção seriada.
Introdução: Na tradição dos estudos estabelecida sobre formatos de ficção seriada
televisiva, os aspectos mais negligenciados dessa exploração são aqueles
designados pelos dois dos três termos centrais desse sintagma, a saber,
“ficção” e “série”: como sintoma de algo que não é exclusivo aos fenômenos
desse segmento específico, mas igualmente o da atenção reduzida da pesquisa em
comunicação à reflexão sobre formas narrativas em geral, aquilo que se acaba
por designar de “ficção seriada” é explorado aspectos externos à sua natureza
“ficcional” (de configuração discursiva de um “mundo possível”, construído
através de padrões e elementos discursivos da narratividade) e de “ordenação
seriada” (de escansão continuada desses universos textuais, através de
construções seqüenciais de acontecimentos e de estrateegias de apelo a um
horizonte de recepção).
Ao
invés disto, a pesquisa nesse campo dedica-se muito mais à caracterização, de
um lado, dos temas gerais da representação discursiva de universos narrativos
(associados a questões de contextualização histórica, caracterização de
eventos, espaços sociais de interação, problemas de identidade, dentre outros),
assim como à caracterização das distintas cadeias e lógicas produtivas que
definem a organização do trabalho e a atribuição de capitais de prestígio
associados a autoria (para distingui-la, por exemplo, daquilo que ocorre em outros
universos culturais da produção audiovisual, como é o caso do cinema), ou ainda
aos diferentes modos de organização das comunidades empíricas de gosto e de
recepção que são auxiliares nos processos de legitimação e de fidelização das
obras seriadas. Por nobres e legitimas que possam ser tais escolhas de
abordagem dos universos da ficção seriada televisiva, é fato que elas se
encontram fora de sua jurisdição quando procuram explicar (ou presumir)
questões relativas à narratividade e à ordenação poética desses produtos – como
é o caso de muitos dos autores que circulam com tal pretensão no campo de
estudos sobre a televisão.
No
percurso que propomos para a exploração desse universo ficcional seriado,
arbitramos então a categoria do “estilo” como nosso ponto de entrada no
fenômeno, por razões variadas: em primeiro lugar, ele nos permite – pela
relativa polissemia do termo – problematizar de modo produtivo as diferentes
estratégias artísticas através das quais o problema da “autoria” das obras
seriadas pode ser atribuído, especialmente no caso de formatos audiovisuais
mediáticos - e particularmente aqueles nos quais a complexidade das cadeias
produtivas de base e as tensões aí estabelecidas tornam difícil restituir o
problema da “intenção da obra” a uma instância pontual de sua gestão (em geral
identificada com os sujeitos que respondem pelo controle dos processos
produtivos dessa cadeia social, como é o caso de diretores, produtores e/ou
roteiristas).
Em
face dessa variável da categoria do “estilo” mais dominante nos estudos
acadêmicos sobre a televisão no campo da pesquisa em Comunicação, é necessário
conceber uma espécie de deslocamento do centro ao qual se pode reclamar o
problema da intencionalidade da obra (ou de sua “poética”) do âmbito do “autor”
(como figura subjetiva) para o da “obra” (como dispositivo textual): do ponto
de vista dos procedimentos de análise, esta mesma categoria do “estilo” nos
permite salientar a complexidade das operações mais regulares da produção
intencional do sentido (mais uma vez, quando referidas à “obra” e não a uma “intentio
auctoris”), a partir do exame das singularidades audiovisuais dessas
operações de sentido, um aspecto que tanto a história da arte quanto certos
ramos das teorias do cinema não nos eximem de explorar.
Objetivos: No decorrer do semestre, pretendemos explorar um panorama de aspectos
da estruturação interna dos produtos seriados de ficção televisiva que
funcionem como marcadores dos perfis estilísticos desses produtos, desde que
situados para além das tradicionais dinâmicas da atribuição do estatuto da
“autoria”, nos campos sociais da produção cultural. Dentre tais indicadores do
estilo em formatos seriados televisivos, destacamos aspectos tais como:
g)
estratégias de encenação audiovisual que cumprem a mesma função no
reconhecimento das instâncias autorias de obras seriadas de ficção televisiva.
Conteúdo
Programático:
Unidade
1: Elementos de estilo aplicados ao audiovisual
- matrizes estéticas da categoria do “estilo” na história da arte, nas teorias
literárias e nas teorias do audiovisual; do “estilo” à “autoria” dos formatos
seriados televisivos, como combinação entre instâncias da dramaturgia e
encenação; das tensões entre segmentos da cadeia produtiva das obras
audiovisuais; horizontes hermenêuticos e semióticos do estilo (cooperação entre
textos e enciclopédias da recepção).
Unidade
2: Das Estratégias de Exposição dos Mundos Narrativos Seriados - os mundos possíveis como matrizes da “mimese”, nas teorias literárias
e na poética audiovisual; da distinção entre “mundos possíveis” e “mundos
empíricos” (para separar universos narrativos e universos profissionais,
históricos e sociais); os elementos fundamentais de um “mundo possível’ em
universos narrativos (lugares, atmosferas, objetos, personagens e ações);
princípios de unidade e coerência de mundos ficcionais seriados.
Unidade
3: Estruturas Episódicas Dominantes em Produtos Seriados Televisivos - estruturação narrativa de produtos seriados televisivos: momentos
expositivos ou introdutórios, apresentação de espaços e personagens,
modalidades preferenciais de ações e de situações narrativas; formas de
ordenação episódica características da evolução de universos narrativos
seriados (repetição e iteração); aspectos da ordenação temporal dominante nas
estruturas episódicas de formatos seriados televisivos; estruturas actanciais
do apelo estético em seriados televisivos (personagens, narradores e valores).
Unidade
4: O estatuto do “estilo” como marca dos horizontes de recepção das séries – os modos de construção do lugar do espectador enquanto indicativo das
“marcas estilísticas” predominantes em formatos seriados: estrutura episódica e
lógicas de endereçamento ao espectador – sinais de tensão narrativa, como
elementos da gestão estilística dos horizontes da recepção; funções da
dramaturgia e da encenação na construção das marcas que endereçam o “estilo”
dos formatos seriados como indícios das instâncias autorais dos produtos
televisivos.
Procedimentos
Didáticos: A dinâmica das sessões
seguirá a estrutura de exibição de segmentos de obras seriadas ilustrativos de
cada eixo temático, seguido de exposição, análise e debate em sala, a partir de
leituras de itens bibliográficos, em sessões presenciais semanais. O
curso consistirá de sessões semanais, numa estrutura genericamente dividida em
duas partes: na primeira delas, haverá exibição de segmentos de obras seriadas
variadas, especialmente em aspectos reveladores ou ilustrativos das questões
temáticas de cada sessão expositiva; nessa base, o segundo momento das sessões
semanais consistirá na exposição e análise desses segmentos, quando serão
discutidos com os alunos os vários aspectos da concepção estilística dos
formatos seriados de ficção televisiva, na relação com os temas de discussão de
cada sessão (ver conteúdo programático). Ao fim de cada sessão semanal, as
notas de apoio das mesmas estarão disponíveis para consulta no blog da
disciplina (in: https://ficcaoseriadagec128.blogspot.com/).
Formas e
Critérios de Avaliação: A avaliação sobre os graus de apreensão dos tópicos
do curso será feita de maneira permanente, através da solicitação de entrega de
pequenos textos críticos (na faixa de 1.000 palavras cada um), versando sobre
os eixos temáticos do curso (ver “Conteúdo Programático”, logo acima), levando
em conta os itens de leitura teórica sugeridos (ver “Bibliografia”, mais
abaixo), assim como as discussões em sala, a partir das leituras prévias de
cada capítulo da obra. Nesse contexto, é fundamental que se esteja atualizado
com a leitura dos itens do curso, procurando trazer eventuais questões que daí
surjam para o âmbito da sala, em cada sessão do curso.
Para além desses
exercícios críticos periódicos, prevê-se a entrega de um trabalho final da
disciplina, articulando as observações construídas no decorrer do semestre em
um formato mais geral e sintético (no limite de 3.000 palavras), a ser entregue
até o final do semestre, em data a ser estipulada (ver “Cronograma”).
Em acréscimo a
estes dois itens, será levada em conta, para fins de avaliação global, os graus
de envolvimento, iniciativa, assiduidade e pontualidade, como critérios
complementares na atribuição da nota final da disciplina. Assim sendo, a média das notas obtidas pelos exercícios
críticos corresponderá a 40% da nota final, o trabalho final valendo 50% desta
nota e os critérios de participação ficando com os 10% restantes. Os detalhes
relativos a formas e critérios de avaliação serão objeto de exposição e discussão
na primeira sessão do curso.
Bibliografia:
ECO, Umberto. Seis
Passeios pelos Bosques da Ficção (trad. Hildegard Feist). São Paulo:
Companhia das Letras (1994);
JOST, François.
“Amor aos Detalhes: assistindo a Breaking Bad”. In: Matrizes.
11/1 (2017): pp. 27,39;
LEAL, Bruno e
BORGES, Felipe. “O Telespectador como Detetive: aproximações à experiência
televisiva contemporânea a partir de True Detective”. In: e-compós. 20/3 (2017): pp.
MARTIN, Sara. “La
poetica delle spazi di Breaking Bad”. In: Series. 1/2 (2015): pp.
151,158;
PICADO, Benjamim
e ANCHIETA, Wanderley. “Mecanismos de Disparidade Cognitiva em Narrativas
seriadas: um exame de Billions” (texto inédito);
ROCHA, Simone Maria da. “Os visual studies e
uma proposta de análise para as (tele)visualidades. In: Significação.
43/46 (2016): pp. 179, 200;
SILVA, Marcel Vieira Barreto. “Cultura das Séries:
forma, contexto e consumo de ficção seriada na contemporanaiedade”. In: Galáxia.
17 (2014): pp. 241,252;
Cronograma
(sujeito a alterações de percurso):
8. 06/05:
Avaliação 2
11. 27/05:
Avaliação 3
16. 01/07: Última
sessão do curso; Avaliação 5 (final)
17. 08/07: não
haverá aula
18. 15/07: Resultados
da Verificação Suplementar (no blog da disciplina).
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